sexta-feira, outubro 08, 2010


O Diário de Jane Collins

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Em casa, 20h50min
Segunda-feira, 04 de outubro.

Sim, eu sei que isto é um diário.
Assim como sei que aulas de história não servem para nada. E não servem mesmo. Só espero que isto me ajude a escrever bem. Porque sei que as pessoas realmente vão querer lê-lo quando eu estiver vendendo 500 livros por dia, no primeiro lugar do ‘The New York Times’. E sim, eu sei que tenho 15 anos e blá-blá-blá, mas isso vai valer uma fortuna um dia.
Portanto, você não deveria estar lendo ele. A não ser que tenha comprado de alguma livraria. E autografado. Vão haver várias sessões de autógrafo dos meus romances, É só eu olhar em minha agenda.
Sim, eu quero ser escritora. Na verdade, eu VOU ser escritora. Só não sei como você descobriu isso. Pois bem, agora isso não importa. O que importa é que eu ainda não fiz a lição de matemática e estou aqui escrevendo neste caderno, que é um diário. Mesmo que não diga isso na capa.
Na verdade, não gosto que saibam que isso é um diário. A não ser no momento que as meninas populares estarão trabalhando como caixas da livraria e verem: “O Diário de Jane Collins” sendo comprado pela J.K. Rowling. Daí vão perceber quantos anos perderam jogando suco diet neste diário quando poderiam ter sido legais comigo, e ter conseguido emprego como minha empresária ou secretária particular.
Eu sei que este diário não começa dia primeiro de janeiro como todo o resto dos diários. É que, bem... Deixa para lá! O importante é voltarmos a cena da J.K. Rowling comprando três exemplares do meu livro, um para ela, um para o Daniel Handler – pseudônimo do Lemony Snickt. Sim, eu sei das coisas – e um para o fantasma da Agatha Chrisite, que é minha fã número 1. A Meg Cabot não precisa de um, ela é minha melhor amiga mesmo.
Claro que minha vida é horrível. Eu sou uma escritora super baixinha, ruiva, e totalmente avoada – nome chique para distraída – o que não é minha culpa. Quer dizer, como deveria aprender sobre o Império Romano se na minha frente está sentado o cara mais lindo do mundo inteiro, quer dizer, o Cory Monteith? Estou brincando. Na verdade é o Lucas. E com toda a certeza ele é inteligente. E popular. E super lindo. E finalmente – como sempre – alguém que não sabe meu nome.
Mesmo com minha paixonite por ele, eu sei que nunca vai acontecer. Não vai ser igual Romeu e Julieta, Mia e Michael, Ross e Rachel ou Belle e Hastings, até a Bela e a Fera. Pois aqui tudo gira em torno das patricinhas, os jogadores de futebol e os caras fortes. Nada gira em torno de escritoras/cartunistas avoadas e ruivas. Nesse estado lamentável, pelo menos eu conto com a ajuda das minhas amigas, Mary e Monica. Só que elas não são avoadas e loucas. Nem escrevem em diários. Eu acho.
Mary é totalmente descontraída. Quero dizer, ela é realmente fora dos eixos. O que não significa que é avoada. Ela só prefere ficar desenhando pequenas cenas de filmes de ação em seu caderno do que prestar atenção na aula da Sra. Hoffman.
A Sra. Hoffman é minha inimiga mortal. Até mais do que as patricinhas. Ela é nossa professora de História, e sempre tenta me deixar em recuperação em sua matéria, o que é 100% antiético da parte dela. Mesmo eu ficando muito feliz de sentar perto do meu futuro marido.
Mary SEMPRE fica em recuperação. E nunca tem paixonites por ninguém, nem mesmo por seu gato, o Sr. Bola de Pelo XVII – não pergunte o que aconteceu com os últimos 16. Provavelmente morreram – que ironicamente não tem um chumaço de pelos. Ela nunca liga para detalhes. Eu posso ser distraída, mas consigo prestar atenção em cada detalhe mínimo que vejo, ouço, toco e até cheiro. Por isso não preciso estudar história. É só se lembrar das aulas e eu passo de ano, o que é realmente algo que amo em mim mesma.
Mariana – nunca chame ela assim, chame de Mary – não planeja ter um marido. Nem uma relação que dure mais de duas semanas. Apesar disso, ela já beijou cinco meninos. Eu abomino essas coisas. Quero me casar – até sei a data, 22 de junho – e já planejei tudo sobre isso, desde o vestido até a comida. Se você for algum dia no Castelo do Batel, vai ver que todos os dias 22 de junho até o ano de 2100 estão marcados. Com nomes diferentes. Apesar de eu ter feito essas reservas sozinha,
Você deve estar pensando porque o ano de 2100. Como sou perita em teste – amo eles! – já fiz vários, e todos mostram que vou morrer neste ano. Apesar de saber que vou me casar aos 25, para ter os gêmeos Mateus e Laura com 27. Sempre planeje sua vida. Meu conselho. E não, nunca fui beijada. Sou tipo a Drew Barrymore, naquele filme que – ironicamente – se chama ‘Nunca Fui Beijada’. Estou esperando o cara perfeito, que é o Lucas. Não ria de mim. Isto é completamente romântico.
Esqueci de falar de Monica: bem, Monica é... Monica! Ela é obcecada por ‘ganhar dinheiro’ o que para ela é sinônimo de Medicina ou Advocacia. Ela escolheu o segundo, pois tem pavor de sangue, algo que é minha única característica em comum com ela. Pelo menos ela não desmaiou quando cortou seu dedo – veja bem – DIGITANDO o trabalho de 50 páginas semanal do professor de Geografia, o Martin. Porque é bem semelhante ao que aconteceu comigo. Bem, foi EXATAMENTE o que aconteceu comigo.
Ela quer se casar, mas sem filho algum, pois dá muito trabalho. Realmente não entendo como ela ainda não tem o desenho de seu vestido de casamento como eu! Sou prevenida. Tenho até o planejamento da roupa de batizado dos gêmeos. Monica odeia advogados profundamente, e também médicos. Eu vou convencer o Lucas a ser pediatra, assim sempre terei um médico em casa, para quando Laura estiver digitando algum relatório como eu.
 Mon – seu apelido, também odiado por ela – vive economizando cada centavo. Ela chega a usar a mesma garrafa de água todo dia, para não comprar uma nova. Se você chegar perto do bebedouro de manhã, vai ver ela enchendo a garrafinha, completamente animada.
Agora lembrei que tenho a tarefa de Matemática que preciso fazer. Não que ela me faça perder nota por deixar de fazê-la. Afinal, ela é minha avó. E estou falando sério. Ela tem 20 anos de diferença de idade com meu avô, mas se casou com ele. Ele é bem rico. Não que eu ache que esse foi o motivo que ela se casou com ele.
É realmente estranho quando sua professora de Matemática te chama de ‘xuxuzinho’ e ‘amor da vovó’. É embaraçoso, mas ela só faz isso porque sou sua única neta, pois – por sorte – sou filha única.
Eu deveria começar a chamá-la de avódrasta. Não sei como é o nome, mas deve ser algo relacionado. Só um presente por ela ter me dado uma tabela algébrica ao quadrado feita à mão por ela mesma de aniversário em vez do novo livro da Meg Cabot, que havia pedido sinceramente que gostaria que este fosse meu presente. Quero ver quem vai rir por último.
E... Ponto final. Tenho que fazer minha tarefa, pois há uma remota possibilidade de ela contar pelo meu avô. Não que eu ligue para isso, tenho mais o que fazer. Como escrever um livro. Pelo menos tenho ideias. Boas ideias.

















Em casa, 22h20min
Segunda- feira, 04 de outubro.

Finalmente acabei a lição de casa. Minha avó é realmente malvada em questão a isso. Mas, agora que acabei, vou continuar falando da minha vida nada fácil. Pois bem, eu planejei meu primeiro beijo.
O lugar – se for romântico – não importa. Esta é a razão de eu usar o mesmo esmalte e o mesmo perfume todo dia, que já está acabando. Vou colocar na lista para minha avó me dar, mas tenho certeza que meu presente será 50 exercícios de cálculo de área. Literalmente.
Mas, veja bem, Lucas pode me olhar a qualquer hora no fundo dos meus olhos e falar que me ama, me pedir em casamento e me beijar. Por isso sempre tenho que estar produzida, com batom rosa com pouco gloss, bochechas rosadas, muito rímel, iluminador suave e muito pó compacto e corretivo.
Eu só comecei a usar estes dois últimos depois que meus pais me compraram um livro digital e uma luminária. Desde então, durmo pelo menos meia-noite comendo Kit Kat sem parar. Engorda, mas é uma delícia!
Estou morrendo de sono. Daqui a pouco meu velório começa. Daqui a 90 anos, em 2100. É só esperar sentado. Pois só volto amanhã, diário. Ou fã maluco. Ei, se você for a Agatha Christie, a gente tinha que combinar de vir em casa de novo, mesmo você tendo morrido. E Meg, não se esqueça do encontro na Starbucks amanhã.
 Porque isso vai acontecer. Em meus sonhos.
          

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